‘ Ó Ar-tu-re, ó Ar-tu-re, an-da cá, an-da cá...´
Cancioneiro popular
I
O braço que indica
A voz que grita
Insistindo na orientaçao
O braço que cai
A voz que se esvai
Consumida p´la resignaçao
Resultado repetido
Jogo perdido
A equipa foi humilhada
O Sócio que insulta
E o rival que exulta
A cada jornada
II
Mas até há um tempo
Num passado recente
Era até respeitado
Treinador de sucesso
De bigode espesso
Farfalhudo e aparado
Treinou campeoes
Franceses, dragoes
Era ídolo no Norte
Mas fez-se poeta
E a conversa da treta
Levou-lhe a sorte
III
O braço ainda indica
A voz ainda grita
Ainda insiste na orientaçao
O braço sempre cai
A voz sempre se esvai
Consumida p´la resignaçao
E nesta intimidade
Só me sai a verdade
Vou-lhes revelar o que sinto
É um povo que se deleita
Pois justiça foi feita :
Obrigado, Sá Pinto.
25.2.05
16.2.05
Declaraçao Magiar II - Todos temos um pouco de Manuel Barbosa
‘ Chama-se Mantorras e vale 18 milhoes de contos... ’
Ex-Presidente do Alverca
Depois de um périplo pelas terras da boa gente do Mali, o Meszaros volta a ausentar-se para fazer uma nova propecçao por terras africanas. Ainda acreditamos nesse El Dorado perdido que já nos trouxe diamantes como Dibo ou Ali Hassan, N’Kongolo ou Parfait N’Dong. Uns mais lapidados que outros, na verdade, mas todos com uma mao cheia de carátes.
Desta vez vamos por terras de Guiné Conakry. Nao que o campeonato seja entusiasmante, um poço sem fundo de potenciais estrelas internacionais. Nao, nao vamos em busca de nenhuma estrela Guineana. Vamo-nos infiltrar no sub-mundo do Campeonato Guineano Inter-Campos de Refugiados, á procura de um novo Sessay ou um novo Musa Shannon. Vamos procurar potenciais vedetas Serra Leonesas e Liberianas que tenham fugido do seu país e se encontrem agora perdidas nalgum campo de refugiados, debaixo de uma tela de plástico das Naçoes Unidas. Tiramos-los de lá, metemos-los a jogar no clube dum amigalhaço e vamos viver á pála deles para sempre.
Como nao temos nenhum irmao mais novo que saiba jogar á bola, temos que fazer pela vida. É assim. Saúdinha. Onde e com quem quer que esteja.
Ex-Presidente do Alverca
Depois de um périplo pelas terras da boa gente do Mali, o Meszaros volta a ausentar-se para fazer uma nova propecçao por terras africanas. Ainda acreditamos nesse El Dorado perdido que já nos trouxe diamantes como Dibo ou Ali Hassan, N’Kongolo ou Parfait N’Dong. Uns mais lapidados que outros, na verdade, mas todos com uma mao cheia de carátes.
Desta vez vamos por terras de Guiné Conakry. Nao que o campeonato seja entusiasmante, um poço sem fundo de potenciais estrelas internacionais. Nao, nao vamos em busca de nenhuma estrela Guineana. Vamo-nos infiltrar no sub-mundo do Campeonato Guineano Inter-Campos de Refugiados, á procura de um novo Sessay ou um novo Musa Shannon. Vamos procurar potenciais vedetas Serra Leonesas e Liberianas que tenham fugido do seu país e se encontrem agora perdidas nalgum campo de refugiados, debaixo de uma tela de plástico das Naçoes Unidas. Tiramos-los de lá, metemos-los a jogar no clube dum amigalhaço e vamos viver á pála deles para sempre.
Como nao temos nenhum irmao mais novo que saiba jogar á bola, temos que fazer pela vida. É assim. Saúdinha. Onde e com quem quer que esteja.
14.2.05
A angustia da barreira antes do livre directo do Heitor
‘ Um homem tem que proteger sempre a sua felicidade’.
Férenc 79.61
Há uns anos, um amiguete do Wim Wenders, um senhor chamado Peter Handke, resolveu publicar um livro que se chamava ‘ A angústia do guarda-redes antes do Penalty’. O sô Handke utilizada o futebol, e em particular o duelo particular entre guarda-redes e marcador, para construir uma metáfora sobre relaçoes inter-pessoais e jogos psicológicos que finalmente se poderíam extrapolar a uma escala quase universal e aplicar a várias as situaçoes da nossa vida.
Permito-me, no entanto, discordar desta alegoria. Do título percebe-se automáticamente que o sô Handke nao percebe um cú de futebol.
A base de toda esta divagaçao é a previsivel impotência do guarda-redes para evitar um destino certo e todo um sacrificio, um jogo mental, que desenvolve para tentar contrariar esta determinada situaçao que lhe é, á partida, altamente desfavorável. No fundo, uma luta contra um destino já escrito. No meio desta reflexao existe um elemento importante para ajudar a eliminar a responsabilidade do Bela Katzirz de turno e que, se potenciado, se torna um trunfo que joga a seu favor neste duelo directo com o marcador, um factor de galvanizaçao: A inevitabilidade. É este elemento que me leva a pensar que ‘sim, coitado do guarda-redes, mas será mais angustiante do que estar na barreira num livre directo do Heitor, a 25 metros da baliza?’
Heitor, histórico lateral do Marítimo é personagem secundária nesta história, mas entra nela porque é um bom exemplo: O homem marcava livres com uma brutalidade atroz, absolutamente sanguinária, obsessionado pelo vício de marcar o golo ou, em alternativa, pelo fascínio cruel da incapacitaçao de um adversário. E ao contrário da maioria dos pé-canhao do futebol português ( como sao conhecidos quase todos os que marcam habitualmente livres directos a mais de 60 km/h) fazia-o com razoável acerto. Quando a bola nao entrava na baliza, era ver aquela massa de couro de 600 gramas a embater a uma velocidade de uns 150km/h na barreira a 9 metros de distância. Neste caso, o resultado era: Dor. Mesmo que protegessem o peito, a cara ou a nossa felicidade, havia sempre dôr. Muita dôr.
E o sentimento vivido pelos mártires da barreira diferencia-se do dos guarda-redes, precisamente pela alta probabilidade de presença da dor física, um elemento que nao existe normalmente na marcaçao de um penalty. Quando o árbitro apita a falta, prepara-se a colocaçao da barreira e vemos que é um jogador como o Heitor (ou podia ser o Branco, o Valtinho, o Barroso, o Dinda, o Celso) que se coloca á nossa frente, a impotência torna-se o sentimento dominante e o horror uma realidade: Terror x expectativa = uma angústia do caraças.
Quando se tem um Heitor á frente, sabemos que há uma elevada probabilidade que as alternativas seja apenas uma de duas: Ou sofremos nós, individualmente ou sofre a equipa, como colectivo. Por isso é de admirar a coragem dos homens da barreira, soldados de couraça de carne, na frente de um ataque de artilharia e ainda assim prontos a oferecer o seu corpo como um escudo, num estoicismo voluntário.
No momento entre o apito do árbitro e o pé de Heitor na bola, ali na barreira falta o ar, tensam-se o corpos, recorda-se num flash de milésimos de segundos todos os momentos importantes das suas vidas, mas unem as almas, na solidariedade única dos momentos críticos.
Esta tensao, esta impotência perante a fatalidade conhecida de um destino incontornável, era brilhantemente retratada por Sérgio Leone nos seus western spaghetti. Enquanto o Heitor pulula a uns metros da bola, ganhando balanço como um touro preparando a investida ao desprotegido forcado, ninguém consegue ficar indiferente áquele ‘ tu-ruru-ruru’ imaginário de uma flauta mexicana e tudo os movimentos e expressoes nos rostos dos demais destilam agonia e expectativa. E, tal como nos filmes de Leone, aparece-nos em grande plano a gota de suor que nasce e escorre fugidia pela fonte de um Rui Barros que sabe que, se é ele o boneco, entra juntamente com a bola dentro da baliza; os dedos que se movem em câmara lenta, aconchegando lá em baixo a felicidade do jogador; a respiraçao abafada escondida por detrás de um cotovelo protector; o bater do coraçao que se escuta por todo o estádio.
Mas tal como em qualquer cenário do Velho Oeste de Almería, este momento de tensao é a mais pura exaltaçao do sentimento de dever, como naqueles italianos feios, suados e de barba por fazer, que sabem de antemao que o Clint ‘Homem-sem-nome’ Eastwood lhes vai limpar o sebo. E mesmo assim estao lá. Com esperança mínima, mas estao lá. O que mais querem, tal como os homens da barreira, é que tudo se despache e que um dedo divino troque o pé de Heitor pelo de Quim Berto. E a bola sai pela linha lateral e fica tudo bem. Da mesma forma que todos os guarda-redes desejavam que fosse o Gregório Freixo a marcar sempre os penalties. Esta boa dose de angustia continuava a existir. Mas ao contrário...
Férenc 79.61
Há uns anos, um amiguete do Wim Wenders, um senhor chamado Peter Handke, resolveu publicar um livro que se chamava ‘ A angústia do guarda-redes antes do Penalty’. O sô Handke utilizada o futebol, e em particular o duelo particular entre guarda-redes e marcador, para construir uma metáfora sobre relaçoes inter-pessoais e jogos psicológicos que finalmente se poderíam extrapolar a uma escala quase universal e aplicar a várias as situaçoes da nossa vida.
Permito-me, no entanto, discordar desta alegoria. Do título percebe-se automáticamente que o sô Handke nao percebe um cú de futebol.
A base de toda esta divagaçao é a previsivel impotência do guarda-redes para evitar um destino certo e todo um sacrificio, um jogo mental, que desenvolve para tentar contrariar esta determinada situaçao que lhe é, á partida, altamente desfavorável. No fundo, uma luta contra um destino já escrito. No meio desta reflexao existe um elemento importante para ajudar a eliminar a responsabilidade do Bela Katzirz de turno e que, se potenciado, se torna um trunfo que joga a seu favor neste duelo directo com o marcador, um factor de galvanizaçao: A inevitabilidade. É este elemento que me leva a pensar que ‘sim, coitado do guarda-redes, mas será mais angustiante do que estar na barreira num livre directo do Heitor, a 25 metros da baliza?’
Heitor, histórico lateral do Marítimo é personagem secundária nesta história, mas entra nela porque é um bom exemplo: O homem marcava livres com uma brutalidade atroz, absolutamente sanguinária, obsessionado pelo vício de marcar o golo ou, em alternativa, pelo fascínio cruel da incapacitaçao de um adversário. E ao contrário da maioria dos pé-canhao do futebol português ( como sao conhecidos quase todos os que marcam habitualmente livres directos a mais de 60 km/h) fazia-o com razoável acerto. Quando a bola nao entrava na baliza, era ver aquela massa de couro de 600 gramas a embater a uma velocidade de uns 150km/h na barreira a 9 metros de distância. Neste caso, o resultado era: Dor. Mesmo que protegessem o peito, a cara ou a nossa felicidade, havia sempre dôr. Muita dôr.
E o sentimento vivido pelos mártires da barreira diferencia-se do dos guarda-redes, precisamente pela alta probabilidade de presença da dor física, um elemento que nao existe normalmente na marcaçao de um penalty. Quando o árbitro apita a falta, prepara-se a colocaçao da barreira e vemos que é um jogador como o Heitor (ou podia ser o Branco, o Valtinho, o Barroso, o Dinda, o Celso) que se coloca á nossa frente, a impotência torna-se o sentimento dominante e o horror uma realidade: Terror x expectativa = uma angústia do caraças.
Quando se tem um Heitor á frente, sabemos que há uma elevada probabilidade que as alternativas seja apenas uma de duas: Ou sofremos nós, individualmente ou sofre a equipa, como colectivo. Por isso é de admirar a coragem dos homens da barreira, soldados de couraça de carne, na frente de um ataque de artilharia e ainda assim prontos a oferecer o seu corpo como um escudo, num estoicismo voluntário.
No momento entre o apito do árbitro e o pé de Heitor na bola, ali na barreira falta o ar, tensam-se o corpos, recorda-se num flash de milésimos de segundos todos os momentos importantes das suas vidas, mas unem as almas, na solidariedade única dos momentos críticos.
Esta tensao, esta impotência perante a fatalidade conhecida de um destino incontornável, era brilhantemente retratada por Sérgio Leone nos seus western spaghetti. Enquanto o Heitor pulula a uns metros da bola, ganhando balanço como um touro preparando a investida ao desprotegido forcado, ninguém consegue ficar indiferente áquele ‘ tu-ruru-ruru’ imaginário de uma flauta mexicana e tudo os movimentos e expressoes nos rostos dos demais destilam agonia e expectativa. E, tal como nos filmes de Leone, aparece-nos em grande plano a gota de suor que nasce e escorre fugidia pela fonte de um Rui Barros que sabe que, se é ele o boneco, entra juntamente com a bola dentro da baliza; os dedos que se movem em câmara lenta, aconchegando lá em baixo a felicidade do jogador; a respiraçao abafada escondida por detrás de um cotovelo protector; o bater do coraçao que se escuta por todo o estádio.
Mas tal como em qualquer cenário do Velho Oeste de Almería, este momento de tensao é a mais pura exaltaçao do sentimento de dever, como naqueles italianos feios, suados e de barba por fazer, que sabem de antemao que o Clint ‘Homem-sem-nome’ Eastwood lhes vai limpar o sebo. E mesmo assim estao lá. Com esperança mínima, mas estao lá. O que mais querem, tal como os homens da barreira, é que tudo se despache e que um dedo divino troque o pé de Heitor pelo de Quim Berto. E a bola sai pela linha lateral e fica tudo bem. Da mesma forma que todos os guarda-redes desejavam que fosse o Gregório Freixo a marcar sempre os penalties. Esta boa dose de angustia continuava a existir. Mas ao contrário...
8.2.05
O boxe-to-boxe
‘Posso ter ficado sem dentes, mas preguei-te uma rabeta.’
Férenc 11.11
Pode-se dizer que o Brasil está para o futebol português como a brasileira para o jogador português: Há alternativas, mas ninguém resiste á forma como fazem levantar o estádio.
Essa tradiçao mantém-se pela reputaçao dos profissionais que até cá têm chegado: Desde o Xerife Moisés de Andrade até á Paula, muitos deixaram a sua marca por cá. Um, no entanto, deixou-a nao só nos relvados como também bem selada nos corpos dos seus adversários. Na verdade é que podiam ser muitos, mas referimo-nos a um jogador em particular, que juntava o génio de um Marlon Alves com a delicadeza súbtil de um Tanta, a energia inesgotável de um Emerson com a raça acérrima de um Milton Mendes, a classe de um Pingo com o temperamento de um Donizete. Desta mistura explosiva e de meias puxadas para baixo, saiu Douglas.
Saiu do Brasil e aterrou em Alvalade para se instalar no meio campo e fazer história por todo o relvado. A sua natureza indomável nao lhe permitia resumir-se a uma determinada zona do terreno. No miolo iniciava o jogo, aí começava a sua luta, mas depois expandia-se: Onde havía uma bola por disputar ou uma canela que morder, aí estava Douglas, qual Macgyver, com o seu canivete suiço na ponta dos pitons, a desenrascar qualquer situaçao.
O seu carácter combativo levava-o a discutir com os seus treinadores por se recusar usar caneleiras, essas mariquices, tanto em jogos como em treinos. Na verdade, que maior estimulante existe para uma líbido futebolística que sentir o osso no osso, o adversário no chao e nós de pé, a driblar o seguinte, numa rata arrogante, mas sublime e seguirmos altivos em direcçao á baliza? Ou regressar para o baneário, com a camisola manchada de sangue e um dente agarrado ao cotovelo, orgulhosos por nao termos vacilado? E é nestes momentos, que o futebol se individualiza: ‘Sim, sou macho. Agarra-me a camisola, faz-me uma gravata, dá-me um chuto, enterra-me o piton no gémeo, abre-me o sobrolho. Faz-me o que quiseres, desde que quem fique com a bola seja eu.’ A vitória suprema do orgulho másculo. E no momento seguinte passas pelo adversário, olhas-lhe nos olhos enquanto sopras uma ranhada com as costas do dedo na outra narina: ‘És um merdas, quem nem consegues mandar um gajo ao chao’.
E Douglas, em passinhos pequeninos, meias em baixo e caneleiras lá no cacifo, enquanto puxava um braço ou lhe faziam uma tesoura, seguía num vai-vem imparável, ora matando ataques do adversário, ora assistindo o Bi-bota; ora ajudando o Duílio que se ficava nas covas ou subindo para marcar um genial golo de calcanhar. Douglas estava lá, nunca recusando uma luta, numa omnipresencia assustadora de rufia de viela, com a naifa na peúga, sempre pronto para uma richa de rua. E tal como a um moleque de favela apanhado numa rusga, a Douglas também lhe tiraram a liberdade quando as novas regras lhe obrigaram a usar as caneleiras nos jogos. As regras, a prisao dos homens-livres. Que mais iriam fazer? Mostrar cartoes amarelos nas entradas por trás? Proibir os socos nos pulmoes nos pontapés de canto? Ah? E chorei contigo, Douglas. Porque tal como tu adivinhava a castraçao das raízes do genuíno jogador da bola, o futebol de rua. Por ti Douglas, o ultimo dos rufias.
Férenc 11.11
Pode-se dizer que o Brasil está para o futebol português como a brasileira para o jogador português: Há alternativas, mas ninguém resiste á forma como fazem levantar o estádio.
Essa tradiçao mantém-se pela reputaçao dos profissionais que até cá têm chegado: Desde o Xerife Moisés de Andrade até á Paula, muitos deixaram a sua marca por cá. Um, no entanto, deixou-a nao só nos relvados como também bem selada nos corpos dos seus adversários. Na verdade é que podiam ser muitos, mas referimo-nos a um jogador em particular, que juntava o génio de um Marlon Alves com a delicadeza súbtil de um Tanta, a energia inesgotável de um Emerson com a raça acérrima de um Milton Mendes, a classe de um Pingo com o temperamento de um Donizete. Desta mistura explosiva e de meias puxadas para baixo, saiu Douglas.
Saiu do Brasil e aterrou em Alvalade para se instalar no meio campo e fazer história por todo o relvado. A sua natureza indomável nao lhe permitia resumir-se a uma determinada zona do terreno. No miolo iniciava o jogo, aí começava a sua luta, mas depois expandia-se: Onde havía uma bola por disputar ou uma canela que morder, aí estava Douglas, qual Macgyver, com o seu canivete suiço na ponta dos pitons, a desenrascar qualquer situaçao.
O seu carácter combativo levava-o a discutir com os seus treinadores por se recusar usar caneleiras, essas mariquices, tanto em jogos como em treinos. Na verdade, que maior estimulante existe para uma líbido futebolística que sentir o osso no osso, o adversário no chao e nós de pé, a driblar o seguinte, numa rata arrogante, mas sublime e seguirmos altivos em direcçao á baliza? Ou regressar para o baneário, com a camisola manchada de sangue e um dente agarrado ao cotovelo, orgulhosos por nao termos vacilado? E é nestes momentos, que o futebol se individualiza: ‘Sim, sou macho. Agarra-me a camisola, faz-me uma gravata, dá-me um chuto, enterra-me o piton no gémeo, abre-me o sobrolho. Faz-me o que quiseres, desde que quem fique com a bola seja eu.’ A vitória suprema do orgulho másculo. E no momento seguinte passas pelo adversário, olhas-lhe nos olhos enquanto sopras uma ranhada com as costas do dedo na outra narina: ‘És um merdas, quem nem consegues mandar um gajo ao chao’.
E Douglas, em passinhos pequeninos, meias em baixo e caneleiras lá no cacifo, enquanto puxava um braço ou lhe faziam uma tesoura, seguía num vai-vem imparável, ora matando ataques do adversário, ora assistindo o Bi-bota; ora ajudando o Duílio que se ficava nas covas ou subindo para marcar um genial golo de calcanhar. Douglas estava lá, nunca recusando uma luta, numa omnipresencia assustadora de rufia de viela, com a naifa na peúga, sempre pronto para uma richa de rua. E tal como a um moleque de favela apanhado numa rusga, a Douglas também lhe tiraram a liberdade quando as novas regras lhe obrigaram a usar as caneleiras nos jogos. As regras, a prisao dos homens-livres. Que mais iriam fazer? Mostrar cartoes amarelos nas entradas por trás? Proibir os socos nos pulmoes nos pontapés de canto? Ah? E chorei contigo, Douglas. Porque tal como tu adivinhava a castraçao das raízes do genuíno jogador da bola, o futebol de rua. Por ti Douglas, o ultimo dos rufias.
2.2.05
Aparício. Ou quando Setúbal perdeu um bom pescador.
‘ Por favor, deixem o homem ir aos chocos’
Férenc 6.71
Meszaros, o Huno tem a honra de apresentar um all-time favourite.
Filósofos do futebol, opinai: Marcar golos, por si só, é uma arte? Decididamente, as opinioes vao-se dividir: Uns mais pragmáticos dirao que ‘por si só, por si só, nao, só alguns golos poderao ser considerados obras de arte e como tal, nao se pode generalizar’. Outros mais apaixonados dirao que ‘ golos é a essência do futebol. Se futebol é arte, logo, golos sao arte’.
Entao pegando nesta corrente de opiniao, sigo o meu raciocínio. ‘Se golos sao arte, quem marca golos é um artista. Certo?’ E é neste momento, que esbugalho os olhos e me sinto como o Toni cada vez que chega para treinar a equipa do Colombo: ‘Minha santinha da Luz, mas onde é que me meti?!’ Para me desenrascar, penso: ‘ Calma. O Alex Bunburry marcava golos e era um artista; o Mapuata marcava golos e era um artista; o Cadorin marcava golos e era um artista. Sim.’ E fico mais descansado. Mas logo me torno um Vítor Manuel quando, entre 3 paragens cardíacas, penso: ‘Atao e o Aparício?’
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Metade homem do mar, metade matreco na área, todo ele um ícone do Bonfim. Nascido e criado por terras do Sado, gaiato rebelde crescido entre as Fontaínhas e o Viso, entre uns mergulhos na doca e um bafo escondido no cigarro roubado ao tio.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Cresceu fortalecido pelo cheiro a maresia, pelo pregao do varino. Fez-se homem nas traineiras, a sua tez curtida pelo sol e pelo sal. Fez-se jogador na taberna do Luciano, entre um copo de três e um sopapo bem arreado, acabando a mamujar entre qualquer dupla de centrais á espera de um chuveirinho do Figueiredo ou um ressalto caprichoso numa jogada do Amâncio.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Marcava golos? Na verdade é que há registo de um ou outro. Uma carambola, uma bolada nas costas que entra na baliza, um pé casual quando está a correr. Mas sempre marcava mais do que se mexía. E aí reside o grande busilis desta minha interrogaçao que assume contornos de semi-existencial: O homem jogava mais parado que o Assis (o actual empresário do irmao); nao recuperou uma única bola em 30 anos de carreira; mamujava um jogo inteiro; falhava cerca de 27,366,543 ocasioes de golos por jogo; era, simplesmente, a anti-estética do futebol. Mas porque marcava algum golito de trambolhao, poderá ser considerado um artista? A resposta é... sim. Por todas as razao acima.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Mesmo sendo mau, muito mau, sempre conseguiu marcar um golito aquí e ali e sobreviver no futebol até aos dias de hoje. Sim, é de artista. Como um Joaquim de Almeida que tem a expressividade do King, mas nao há mais ninguém que faça de mafioso; um José Cid que canta pior que o Neno mas sempre aparece todo nú na Nova Gente. Um artista alternativo, em que o seu génio existe por uma mistura explosiva de desastre e persistência, coincidencias e sorte.
Aparicío. Em Setúbal conhecido por Parríçe, um ídolo das bancadas que tinham um grito especial para ele (‘A-PA-RÍ-CIO! A-PA-RI-CÍO!’), por ser um homem do mar, um chavalo da terra, que tinha o VIII Exército comprado com sandochas de coiratos e os sócios cativos comprados com queijadas de Sintra. Um artista Setubalense. Na glamorosa linha de Clemente, Toy ou Mister Gay.
E se alguém quiser ainda hoje observar a sua inéptica arte, é ir um domingo á tarde ao campo do Moitense, onde ainda a vai arrastando pelo pelado. Arte-lixo, kitsch e má. Mas, pronto, sempre é arte...
Férenc 6.71
Meszaros, o Huno tem a honra de apresentar um all-time favourite.
Filósofos do futebol, opinai: Marcar golos, por si só, é uma arte? Decididamente, as opinioes vao-se dividir: Uns mais pragmáticos dirao que ‘por si só, por si só, nao, só alguns golos poderao ser considerados obras de arte e como tal, nao se pode generalizar’. Outros mais apaixonados dirao que ‘ golos é a essência do futebol. Se futebol é arte, logo, golos sao arte’.
Entao pegando nesta corrente de opiniao, sigo o meu raciocínio. ‘Se golos sao arte, quem marca golos é um artista. Certo?’ E é neste momento, que esbugalho os olhos e me sinto como o Toni cada vez que chega para treinar a equipa do Colombo: ‘Minha santinha da Luz, mas onde é que me meti?!’ Para me desenrascar, penso: ‘ Calma. O Alex Bunburry marcava golos e era um artista; o Mapuata marcava golos e era um artista; o Cadorin marcava golos e era um artista. Sim.’ E fico mais descansado. Mas logo me torno um Vítor Manuel quando, entre 3 paragens cardíacas, penso: ‘Atao e o Aparício?’
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Metade homem do mar, metade matreco na área, todo ele um ícone do Bonfim. Nascido e criado por terras do Sado, gaiato rebelde crescido entre as Fontaínhas e o Viso, entre uns mergulhos na doca e um bafo escondido no cigarro roubado ao tio.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Cresceu fortalecido pelo cheiro a maresia, pelo pregao do varino. Fez-se homem nas traineiras, a sua tez curtida pelo sol e pelo sal. Fez-se jogador na taberna do Luciano, entre um copo de três e um sopapo bem arreado, acabando a mamujar entre qualquer dupla de centrais á espera de um chuveirinho do Figueiredo ou um ressalto caprichoso numa jogada do Amâncio.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Marcava golos? Na verdade é que há registo de um ou outro. Uma carambola, uma bolada nas costas que entra na baliza, um pé casual quando está a correr. Mas sempre marcava mais do que se mexía. E aí reside o grande busilis desta minha interrogaçao que assume contornos de semi-existencial: O homem jogava mais parado que o Assis (o actual empresário do irmao); nao recuperou uma única bola em 30 anos de carreira; mamujava um jogo inteiro; falhava cerca de 27,366,543 ocasioes de golos por jogo; era, simplesmente, a anti-estética do futebol. Mas porque marcava algum golito de trambolhao, poderá ser considerado um artista? A resposta é... sim. Por todas as razao acima.
Aparício. Em Setúbal conhecido por Parríçe. Mesmo sendo mau, muito mau, sempre conseguiu marcar um golito aquí e ali e sobreviver no futebol até aos dias de hoje. Sim, é de artista. Como um Joaquim de Almeida que tem a expressividade do King, mas nao há mais ninguém que faça de mafioso; um José Cid que canta pior que o Neno mas sempre aparece todo nú na Nova Gente. Um artista alternativo, em que o seu génio existe por uma mistura explosiva de desastre e persistência, coincidencias e sorte.
Aparicío. Em Setúbal conhecido por Parríçe, um ídolo das bancadas que tinham um grito especial para ele (‘A-PA-RÍ-CIO! A-PA-RI-CÍO!’), por ser um homem do mar, um chavalo da terra, que tinha o VIII Exército comprado com sandochas de coiratos e os sócios cativos comprados com queijadas de Sintra. Um artista Setubalense. Na glamorosa linha de Clemente, Toy ou Mister Gay.
E se alguém quiser ainda hoje observar a sua inéptica arte, é ir um domingo á tarde ao campo do Moitense, onde ainda a vai arrastando pelo pelado. Arte-lixo, kitsch e má. Mas, pronto, sempre é arte...
19.1.05
Os discípulos de Borota III
‘E, na apocalíptica noite, debaixo do trovejar demoníaco, ergeu as maos aos céus e gritou : Deus, para que serve isto no fim dos braços? ’
Férenc 22.76
Discípulo III
Ivica ‘ E-o-que-faço-com-as-maos-quando chega-a-bola’ Kralj
O seu rotundo fracasso nas Antas representou o caso mais surpreendente dos 3 discípulos. Chegou como um Mlynarczyk, saiu como um Lemajic.
Esta responsabilidade que lhe meteram nas maos, Ivica nao foi capaz de aguentar. Deixava-a cair sempre ao chao. De facto, este Rodolfo Rodriguez de Leste caracterizava-se pela sua incontrolável descoordenaçao motora. Era habitual ver Kralj a enfiar os dedos no nariz enquanto orientava a barreira num livre directo ou a esmurrar-se a si mesmo quando tentava socar a bola num pontapé de canto. Embora creamos que essa mesma descoordenaçao fosse um dos seus trunfos lá no campeonato da sua terra, por cá infelizmente nao funcionava como arma de desconcentraçao dos avançados, sofrendo mais frangos do que golos feitos falhava Lima.
Ivica, este Ran tan plan da pequena área, estava para a sua baliza como o seu companheiro Stéphane Paille para a dos adversários. Ou seja, tinham tanto a ver como o Abel Xavier do Estrela da Amadora e o Abel Xavier do Liverpool. Nada. Absolutamente nada.
E por essa razao, a sua presença lá prós lados da Gaia foi tao fugaz como as defesas que conseguiu fazer. Apesar de totalmente inapto como guarda-redes, Kralj merece a nossa homenagem pois reconhecemos o esforço de um homem que tenta ultrapassar as suas próprias limitaçoes, mesmo sem o conseguir, o que o faz um quase-exemplo para todos nós.
Também os seus adversários ainda hoje choram de saudades e enviam-lhe mensagens para o telemóvel encorajando-o e incentivando o seu regresso para as balizas de um qualquer rival. Mas Ivica ‘ E-o-que-faço-com-as-maos-quando chega-a-bola’ Kralj nao sabe disto. Porque ainda nao conseguiu carregar nos botoes do seu telemóvel.
Férenc 22.76
Discípulo III
Ivica ‘ E-o-que-faço-com-as-maos-quando chega-a-bola’ Kralj
O seu rotundo fracasso nas Antas representou o caso mais surpreendente dos 3 discípulos. Chegou como um Mlynarczyk, saiu como um Lemajic.
Esta responsabilidade que lhe meteram nas maos, Ivica nao foi capaz de aguentar. Deixava-a cair sempre ao chao. De facto, este Rodolfo Rodriguez de Leste caracterizava-se pela sua incontrolável descoordenaçao motora. Era habitual ver Kralj a enfiar os dedos no nariz enquanto orientava a barreira num livre directo ou a esmurrar-se a si mesmo quando tentava socar a bola num pontapé de canto. Embora creamos que essa mesma descoordenaçao fosse um dos seus trunfos lá no campeonato da sua terra, por cá infelizmente nao funcionava como arma de desconcentraçao dos avançados, sofrendo mais frangos do que golos feitos falhava Lima.
Ivica, este Ran tan plan da pequena área, estava para a sua baliza como o seu companheiro Stéphane Paille para a dos adversários. Ou seja, tinham tanto a ver como o Abel Xavier do Estrela da Amadora e o Abel Xavier do Liverpool. Nada. Absolutamente nada.
E por essa razao, a sua presença lá prós lados da Gaia foi tao fugaz como as defesas que conseguiu fazer. Apesar de totalmente inapto como guarda-redes, Kralj merece a nossa homenagem pois reconhecemos o esforço de um homem que tenta ultrapassar as suas próprias limitaçoes, mesmo sem o conseguir, o que o faz um quase-exemplo para todos nós.
Também os seus adversários ainda hoje choram de saudades e enviam-lhe mensagens para o telemóvel encorajando-o e incentivando o seu regresso para as balizas de um qualquer rival. Mas Ivica ‘ E-o-que-faço-com-as-maos-quando chega-a-bola’ Kralj nao sabe disto. Porque ainda nao conseguiu carregar nos botoes do seu telemóvel.
18.1.05
Os discípulos de Borota II
‘ Quando olhares e vires alguém, nao significa que esteja gente‘.
Férenc 09.11
Discípulo II
Wozniak ‘Robokeeper 2000’
Possuidor de um estilo que se pode caracterizar como essencialmente geométrico, Wozniak parecia que fazía todos os seus movimentos corporais em angulos de 90º. Wozniak era um prodígio na arte de defender mal. De facto, era dos três discípulos de Borota, o mais parecido com Baía. Mais propriamente com a Baía de Cascais, já que na sua testa podíam atracar diariamente dezenas de traineiras e uma ou outra fragata de guerra, razao pela qual é um dos grandes favoritos ao Prémio Dr. Domingos Gomes, para as maiores entradas de sempre do futebol portugués. Os seus principias rivais sao:
- Nivaldo
- José António
- Murça
- Bobó
- Mario Artur
- Nunes
- Caccioli
- Best
- 80% dos planteis do FC Porto desde 1970.
Prémio Dr. Domingos Gomes, próximamente no blog mais perto de si.
Ou seja, de Wozniak, o que podemos dizer é que tambiém os alunos da famosa escola polaca de guarda-redes chumbam.
Férenc 09.11
Discípulo II
Wozniak ‘Robokeeper 2000’
Possuidor de um estilo que se pode caracterizar como essencialmente geométrico, Wozniak parecia que fazía todos os seus movimentos corporais em angulos de 90º. Wozniak era um prodígio na arte de defender mal. De facto, era dos três discípulos de Borota, o mais parecido com Baía. Mais propriamente com a Baía de Cascais, já que na sua testa podíam atracar diariamente dezenas de traineiras e uma ou outra fragata de guerra, razao pela qual é um dos grandes favoritos ao Prémio Dr. Domingos Gomes, para as maiores entradas de sempre do futebol portugués. Os seus principias rivais sao:
- Nivaldo
- José António
- Murça
- Bobó
- Mario Artur
- Nunes
- Caccioli
- Best
- 80% dos planteis do FC Porto desde 1970.
Prémio Dr. Domingos Gomes, próximamente no blog mais perto de si.
Ou seja, de Wozniak, o que podemos dizer é que tambiém os alunos da famosa escola polaca de guarda-redes chumbam.
14.12.04
Declaracao Magiar - Todos temos um pouco de Luis Suaréz
“Cuidado com os olheiros de oculos escuros e gabardina comprida. Podem ser sempre o Padre Frederico.”
Ferenc 3.39
Meszaros , o Huno declara que a producao de artigos durante os proximos dias vai ser afectada por uma viagem de prospeccao que estamos actualmente a realizar no prolifero campeonato militar do Mali. Temos esperanca de conseguir descobrir um novo Keita ou um novo Diallo, duas quase-estrelas miticas da constelacao leonina caso tivessem jogado mais que uns meros segundos no campeonato.
A partir deste momento tambem nos posicionamos oficialmente contra os acentos. Os acentos estao para a ortografia como Joao Malheiro para o futebol: Dao um certo colorido, mas no final de contas nao fazem falta nenhuma. E comecamos finalmente a entender a politica de contratacoes do Uniao da Madeira de principios de anos 90...
No entretanto, Meszaros recomenda que tenham cuidado com as roturas de ligamentos cruzados e aconselha a jogar sempre pelos flancos. Haja saude.
Ferenc 3.39
Meszaros , o Huno declara que a producao de artigos durante os proximos dias vai ser afectada por uma viagem de prospeccao que estamos actualmente a realizar no prolifero campeonato militar do Mali. Temos esperanca de conseguir descobrir um novo Keita ou um novo Diallo, duas quase-estrelas miticas da constelacao leonina caso tivessem jogado mais que uns meros segundos no campeonato.
A partir deste momento tambem nos posicionamos oficialmente contra os acentos. Os acentos estao para a ortografia como Joao Malheiro para o futebol: Dao um certo colorido, mas no final de contas nao fazem falta nenhuma. E comecamos finalmente a entender a politica de contratacoes do Uniao da Madeira de principios de anos 90...
No entretanto, Meszaros recomenda que tenham cuidado com as roturas de ligamentos cruzados e aconselha a jogar sempre pelos flancos. Haja saude.
1.12.04
Quim vs. Nascimento - O embate
'E quando lhe contaram as histórias dos seus antepassados, o Homem de Cro-Magnon disse: 'Houh''
Férenc 2.2
Varzim e Vit. Setúbal encontram-se na Póvoa. Ambiente de festa, com sardinhada e vinho tinto, tão comuns em encontros de gente do mar. Dentro do campo, as equipas sentem a excitação de um dos clássicos ignorados do futebol português, alvo de fervilhante paixão entre uma elite cada vez mais underground.
Começa o jogo.
Num ombro a ombro a meio campo, Quim (mais tarde, no FC Porto) e Nascimento, antepassados de Moreira e possuídores das mandíbulas mais temidas e proeminentes da primeira divisão, batem com o queixo um no outro. O som é arrepiante. A multidão arrefece em silêncio. Deixa de se ouvir barulho na lota de pesca. Qual dos dois tem que sair de maca?
Resposta em breve. Entretando, revelem toda a vossa astúcia, seus velhas raposas. Enviem as vossas respostas a meszaros@no-log.org e façam saltar do banco esse John Mortimore que têm adormecido dentro de vós. Será dos comprimidos pró coraçao...
Quem mandar uma boa resposta recebe o ‘Parabéns a Voçê’ cantado por todo o balneário.
Férenc 2.2
Varzim e Vit. Setúbal encontram-se na Póvoa. Ambiente de festa, com sardinhada e vinho tinto, tão comuns em encontros de gente do mar. Dentro do campo, as equipas sentem a excitação de um dos clássicos ignorados do futebol português, alvo de fervilhante paixão entre uma elite cada vez mais underground.
Começa o jogo.
Num ombro a ombro a meio campo, Quim (mais tarde, no FC Porto) e Nascimento, antepassados de Moreira e possuídores das mandíbulas mais temidas e proeminentes da primeira divisão, batem com o queixo um no outro. O som é arrepiante. A multidão arrefece em silêncio. Deixa de se ouvir barulho na lota de pesca. Qual dos dois tem que sair de maca?
Resposta em breve. Entretando, revelem toda a vossa astúcia, seus velhas raposas. Enviem as vossas respostas a meszaros@no-log.org e façam saltar do banco esse John Mortimore que têm adormecido dentro de vós. Será dos comprimidos pró coraçao...
Quem mandar uma boa resposta recebe o ‘Parabéns a Voçê’ cantado por todo o balneário.
30.11.04
Os discípulos de Borota I
‘ Quem tem medo compra um cao. Mas eles compraram pinchers’.
Férenc 88.09
Imaginemos que os 3 reis magos, a caminho de levar o ouro, incenso e a mirra ao Salvador, de repente perdiam a estrela de Belém. Desesperados tentaríam encontrar outra estrela que os orientasse no seu caminho. Apenas muito dias depois, dar-se-íam conta que se tinham enganado e estavam no Bangladesh ofereçendo o ouro ao filho de um produtor de arroz budista, porque o incenso e a mirra já tinham comido pelo caminho.
Esta alegoria serve apenas para explicar como se sentiu o FC Porto, quando depois de vender Vítor ‘Euro 2004’ Baía para o Barcelona tentou desesperadamente procurar outra estrela para guiar a sua defesa. Ao FC Porto aconteceu ainda pior que aos 3 reis magos. Se ir para o Bangladesh é mau, contratar um Ivica Kralj, um Eriksson y um Wosniak é muito pior.
Moral da história, se os reis magos nao percebem um boi de geografia, o FC nao percebe um Paulinho Santos de Futebol.
Ora vide:
Discípulo I
Lars ‘ o Homem tranquilo’ Eriksson
Varias teorías existiram sobre a serenidade de Lars Eriksson, um pacato guarda-redes Sueco que apareceu nas Antas ninguém sabe muito bem como nem porquê. Meszaros, o Huno traz-lhes aquí as teorías mais famosas:
- Teoría 1 – ‘Eriksson era apenas um homem muito calmo’. Segundo esta teoria estamos perante um fenómeno da condiçao humana. É que tendo diante uma defesa composta por um Secretário, um Jorge Costa, um Aloísio e um Paulinho Santos, até o Dalai Lama estaría nervoso. Todos sabemos que no caso de estes meninos nao terem um adversario directo para atacar, podiam virar-se contra qualquer um, como Rottweillers em fúria tentando saciar a sua codicia de sangue. Que o diga Mielcarski, que se fartava de levar caldos do Paulinho Santos de cada vez que marcava um golo. Talvez por isso preferisse estar lesionado. Teoría rejeitada por medo de agressao.
- Teoria 2 – ‘Eriksson na realidade era apenas depresivo’. Esta teoria apresenta ‘Homem Tranquilo’ Eriksson nao como uma pessoa calma mas catatónica, pela quantidade industrial de drunfes que lhe metíam por aquela boca dentro. No entanto, esta teoría é uma absoluta calúnia, pois a reputaçao do departamento médico do FC Porto é intocável. Tao intocável como as cabeças da maioría dos jogadores quando começam a perder cabelo ainda em idade de infantis. Teoría rejeitada e processo em tribunal.
- Teoria 3 – ‘ Eriksson estava morto’. Esta teoria é de todas a mais verosímil. Mais: Meszaros, o Huno sabe de fonte segura que a contrataçao de Eriksson constitui mais uma infame cabala orquestrada pela Camorra Sueca de tráfico de jogadores de futebol, responsável pelos fenómenos Martín Pringle e Hans Eskillson (prometido para um próximo blog) a qual Meszaros nao vai parar de denunciar. Sabemos que o Sr. Lars Eriksson, cidadao sueco e vendedor de electrodomésticos, foi comprado por um Agente FIFA a uma agencia funeraria (para ver até onde chegam os tentáculos deste polvo) depois de ter perecido por enfarte de miocárdio e vendido ao FC Porto como jogador de futebol. A trama foi tao bem orquestrada que ninguém desconfiou o facto de ter sempre alguém a dar-lhe pancaditas nas costas ou o seu agente ligar ao treinador para nao o pôr a jogar nos dias mais ventosos.
Apenas Vale e Azevedo, o Gil y Gil português, conseguiu detectar a tempo mais uma maquiavélica maquinaçao da Camorra Sueca, quando lhe tentaram vender o ponta de lança Rushfeldt, que na realidade era um boneco insuflável. Ladrao que apanha ladrao, também devia ter 100 anos de perdao. A justiça nao foi feita, Dr. Azevedo. E por isso, a Camorra Sueca anda por aí...
Ps. O facto deste mail nao ter alguns acentos é a prova cabal de que a Camorra Sueca tenta a todo o custo boicotar a nossa missao de esclarecer a verdade.
Férenc 88.09
Imaginemos que os 3 reis magos, a caminho de levar o ouro, incenso e a mirra ao Salvador, de repente perdiam a estrela de Belém. Desesperados tentaríam encontrar outra estrela que os orientasse no seu caminho. Apenas muito dias depois, dar-se-íam conta que se tinham enganado e estavam no Bangladesh ofereçendo o ouro ao filho de um produtor de arroz budista, porque o incenso e a mirra já tinham comido pelo caminho.
Esta alegoria serve apenas para explicar como se sentiu o FC Porto, quando depois de vender Vítor ‘Euro 2004’ Baía para o Barcelona tentou desesperadamente procurar outra estrela para guiar a sua defesa. Ao FC Porto aconteceu ainda pior que aos 3 reis magos. Se ir para o Bangladesh é mau, contratar um Ivica Kralj, um Eriksson y um Wosniak é muito pior.
Moral da história, se os reis magos nao percebem um boi de geografia, o FC nao percebe um Paulinho Santos de Futebol.
Ora vide:
Discípulo I
Lars ‘ o Homem tranquilo’ Eriksson
Varias teorías existiram sobre a serenidade de Lars Eriksson, um pacato guarda-redes Sueco que apareceu nas Antas ninguém sabe muito bem como nem porquê. Meszaros, o Huno traz-lhes aquí as teorías mais famosas:
- Teoría 1 – ‘Eriksson era apenas um homem muito calmo’. Segundo esta teoria estamos perante um fenómeno da condiçao humana. É que tendo diante uma defesa composta por um Secretário, um Jorge Costa, um Aloísio e um Paulinho Santos, até o Dalai Lama estaría nervoso. Todos sabemos que no caso de estes meninos nao terem um adversario directo para atacar, podiam virar-se contra qualquer um, como Rottweillers em fúria tentando saciar a sua codicia de sangue. Que o diga Mielcarski, que se fartava de levar caldos do Paulinho Santos de cada vez que marcava um golo. Talvez por isso preferisse estar lesionado. Teoría rejeitada por medo de agressao.
- Teoria 2 – ‘Eriksson na realidade era apenas depresivo’. Esta teoria apresenta ‘Homem Tranquilo’ Eriksson nao como uma pessoa calma mas catatónica, pela quantidade industrial de drunfes que lhe metíam por aquela boca dentro. No entanto, esta teoría é uma absoluta calúnia, pois a reputaçao do departamento médico do FC Porto é intocável. Tao intocável como as cabeças da maioría dos jogadores quando começam a perder cabelo ainda em idade de infantis. Teoría rejeitada e processo em tribunal.
- Teoria 3 – ‘ Eriksson estava morto’. Esta teoria é de todas a mais verosímil. Mais: Meszaros, o Huno sabe de fonte segura que a contrataçao de Eriksson constitui mais uma infame cabala orquestrada pela Camorra Sueca de tráfico de jogadores de futebol, responsável pelos fenómenos Martín Pringle e Hans Eskillson (prometido para um próximo blog) a qual Meszaros nao vai parar de denunciar. Sabemos que o Sr. Lars Eriksson, cidadao sueco e vendedor de electrodomésticos, foi comprado por um Agente FIFA a uma agencia funeraria (para ver até onde chegam os tentáculos deste polvo) depois de ter perecido por enfarte de miocárdio e vendido ao FC Porto como jogador de futebol. A trama foi tao bem orquestrada que ninguém desconfiou o facto de ter sempre alguém a dar-lhe pancaditas nas costas ou o seu agente ligar ao treinador para nao o pôr a jogar nos dias mais ventosos.
Apenas Vale e Azevedo, o Gil y Gil português, conseguiu detectar a tempo mais uma maquiavélica maquinaçao da Camorra Sueca, quando lhe tentaram vender o ponta de lança Rushfeldt, que na realidade era um boneco insuflável. Ladrao que apanha ladrao, também devia ter 100 anos de perdao. A justiça nao foi feita, Dr. Azevedo. E por isso, a Camorra Sueca anda por aí...
Ps. O facto deste mail nao ter alguns acentos é a prova cabal de que a Camorra Sueca tenta a todo o custo boicotar a nossa missao de esclarecer a verdade.
29.11.04
Walker, o Ranger do Bessa
‘Dêem-me uns pítons de alumínio, um par de caneleiras e uma colt .45 e até divido uma bola com o Valtinho.’
Férenc 4:11
Era uma vez um forasteiro. Viajou de um País distante para tentar construir a sua vida, numa terra para ele desconhecida, inóspita e dura, como tantos aventureiros que amuraram na nossa costa. De Skoda a Pitico, de Décio António a Voynov, todos tinham a mesma ilusão: Obter fama, ganhar fortuna e engatar uma gaja boa que trabalhasse numa loja de roupa da baixa.
Chegou ao faroeste do futebol português, deficitário de lei mas excendentário de ladrões de cavalos. Nas margens do Douro encontrou o seu refúgio. O Bessa era como uma pequena cidade sem ordem, desmandada e desgovernada, tornando-se um alvo extremamente vulnerável ao saque dos 2 pontos por quem o visitasse. Phil Walker rápidamente entendeu o seu destino: Impôr a sua lei, criar disciplina e ganhar o respeito dos outros bandos. Custe o que custasse.
Pegou nuns quantos delegados e pôs-se a organizar o forte. O Ranger Walker tinha que impôr a ordem. O meio do campo era o seu rancho, mas o seu território não tinha fronteiras. Em momentos de aflição, era ele quem dava o grito de alerta, impulsando a revolta dos seus fiéis delegados. Em alturas de tranquilidade, permitia aos seus vaqueiros uns copos no saloon e uns passitos de Cacan, mantendo-se ele de vigília.
O seu brilhantismo estava apenas na sua estrela de xerife, na sua liderança. Não era o mais rápido, o mais forte ou mais genial. Também não fazia falta. Era preciso um atirador furtivo para dar cabo de um par de coiotes, chama-se o Ricky, que até se misturava bem com a escuridão. Fazia falta um batedor, havia o Marlon Brandao que se enviezava pelos montes adversários, abrindo caminho para o resto do bando. O trabalho exigia um capanga de força bruta, ali estava o Nogueira, que até enganava bem com o seu ar de intelectual de festa do avante, mas que na altura de afiambrar era um verdadeiro skinhead. E até havia um par de lugares tenentes, Agatão e Rui Casaca, que lhe davam uma boa ajudinha na altura de reunir e avivar as tropas. Mas o chefe da banda era ele. O descendente do Bobó, de dreadlocks ao vento.
O mito nasceu e correu mundo. Dizia-se dele que quando alguém sofria uma entrada sua a pés juntos, ficava com a marca dos pítons para sempre cravada na pele, uma cabeça de gado mais da sua manada, marcada a ferro quente. Dizia-se que o seu grito de mando era tão poderoso que até deslocava as balizas, razão pela qual Ricky marcava golos. Dizia-se até que o segredo da sua pujança e energia estava no seu rasta aparentemente descuidado, o que até tinha um certo fundo de verdade, pois no seu rasta guardava sempre uma sandes de torresmo e uma mini-preta para quando lhe faltavam as forças. O rumor é a força motora do nascimento de um mito. Mas o mito só nasce se houver um embrião de verdade. E a gente do Bessa conhecía-a.
E ainda hoje para os lados da Boavista, nessas solarengas tardes de Domingo, se pode ouvir o som de uma harmónica triste, como chamando o velho vaqueiro. E nós que nos habituámos a vê-lo, de dreadlocks ao vento, olhamos para o pôr do sol e, escutando essa balada saudosista, sentimo-nos felizes: Sempre é melhor o som de uma harmónica do que a voz do Jorge Gabriel pelo sistema de som de um estádio qualquer.
Férenc 4:11
Era uma vez um forasteiro. Viajou de um País distante para tentar construir a sua vida, numa terra para ele desconhecida, inóspita e dura, como tantos aventureiros que amuraram na nossa costa. De Skoda a Pitico, de Décio António a Voynov, todos tinham a mesma ilusão: Obter fama, ganhar fortuna e engatar uma gaja boa que trabalhasse numa loja de roupa da baixa.
Chegou ao faroeste do futebol português, deficitário de lei mas excendentário de ladrões de cavalos. Nas margens do Douro encontrou o seu refúgio. O Bessa era como uma pequena cidade sem ordem, desmandada e desgovernada, tornando-se um alvo extremamente vulnerável ao saque dos 2 pontos por quem o visitasse. Phil Walker rápidamente entendeu o seu destino: Impôr a sua lei, criar disciplina e ganhar o respeito dos outros bandos. Custe o que custasse.
Pegou nuns quantos delegados e pôs-se a organizar o forte. O Ranger Walker tinha que impôr a ordem. O meio do campo era o seu rancho, mas o seu território não tinha fronteiras. Em momentos de aflição, era ele quem dava o grito de alerta, impulsando a revolta dos seus fiéis delegados. Em alturas de tranquilidade, permitia aos seus vaqueiros uns copos no saloon e uns passitos de Cacan, mantendo-se ele de vigília.
O seu brilhantismo estava apenas na sua estrela de xerife, na sua liderança. Não era o mais rápido, o mais forte ou mais genial. Também não fazia falta. Era preciso um atirador furtivo para dar cabo de um par de coiotes, chama-se o Ricky, que até se misturava bem com a escuridão. Fazia falta um batedor, havia o Marlon Brandao que se enviezava pelos montes adversários, abrindo caminho para o resto do bando. O trabalho exigia um capanga de força bruta, ali estava o Nogueira, que até enganava bem com o seu ar de intelectual de festa do avante, mas que na altura de afiambrar era um verdadeiro skinhead. E até havia um par de lugares tenentes, Agatão e Rui Casaca, que lhe davam uma boa ajudinha na altura de reunir e avivar as tropas. Mas o chefe da banda era ele. O descendente do Bobó, de dreadlocks ao vento.
O mito nasceu e correu mundo. Dizia-se dele que quando alguém sofria uma entrada sua a pés juntos, ficava com a marca dos pítons para sempre cravada na pele, uma cabeça de gado mais da sua manada, marcada a ferro quente. Dizia-se que o seu grito de mando era tão poderoso que até deslocava as balizas, razão pela qual Ricky marcava golos. Dizia-se até que o segredo da sua pujança e energia estava no seu rasta aparentemente descuidado, o que até tinha um certo fundo de verdade, pois no seu rasta guardava sempre uma sandes de torresmo e uma mini-preta para quando lhe faltavam as forças. O rumor é a força motora do nascimento de um mito. Mas o mito só nasce se houver um embrião de verdade. E a gente do Bessa conhecía-a.
E ainda hoje para os lados da Boavista, nessas solarengas tardes de Domingo, se pode ouvir o som de uma harmónica triste, como chamando o velho vaqueiro. E nós que nos habituámos a vê-lo, de dreadlocks ao vento, olhamos para o pôr do sol e, escutando essa balada saudosista, sentimo-nos felizes: Sempre é melhor o som de uma harmónica do que a voz do Jorge Gabriel pelo sistema de som de um estádio qualquer.
23.11.04
A escala de Maside
‘ O primeiro inventor da pressao alta foi Anthímio de Azevedo’
Férenc 2:10
‘Senhores e senhoras espectadores do topo sul, por questoes de segurança, por favor, desloquem-se para a lateral, pois o Vitoria vai atacar na segunda parte para esse lado’.
Após as solicitaçoes de muitos clubes, da protecçao civil e da intervençao da Procuradoria Geral da República, a FPF viu-se obrigada a tomar esta medida de aviso aos espectadores como precauçao em cada jogo do Vitória de Setúbal e, mais tarde do Sporting.
Tudo porque, a extremo direito jogada o verdadeiro terramoto das bancadas: Rui ‘Richter’ Maside.
‘Richter’ Maside começava o jogo enconstado á linha. ‘ Rui’ dizia-lhe o Mister, ‘poe-te do lado de dentro da linha. É o lado onde estao os outros jogadores todos. Sim, os que estao de pé e equipados como tu’. E ía sempre em frente. Ás vezes passavam-lhe a bola, que se embrulhava nos pés e ficava para trás, mas o Rui continuava a correr. Outras vezes nem lhe passavam a bola, mas o Rui continuava a correr.
Mesmo com a sua quase completa inaptidao para ter a bola nos pés, até se podía dizer que era um extremo perigoso. Perigoso para a integridade física do adversário. Mas os danos eram mínimos pois quando começava a correr os defesas saíam da sua frente e deixavam-lhe o caminho livre. Os defesas e também os fiscais de linhas, os fotógrafos, os apanha-bolas e até o público.
Alguns estádios reforçaram a protecçao das bancadas com barras de aço trazidos directamente da Siderurgia Nacional, para evitar danos na estrutura. Outros estádios já foram construídos usando materiais e tecnologia anti-Maside.
Alvalade e Bonfim, no entanto, adaptaram-se tecnologicamente de modo a conseguir mante-lo mais ou menos dentro do campo sem terem um carro preparado na doca para o trazer ao estádio de cada vez que caía ao rio durante um jogo de futebol: A idéia consistia em revestir os topos do estádio com umas molas almofadadas, para que cada vez que Maside embatesse contra as bancadas fizesse ricochete para trás, mantendo-o sempre em jogo e evitando gastos em portoes novos.
Apesar de todas as críticas que o denominavam de verdadeiro desastre natural, os seus méritos foram reconhecidos pelo Sporting, dando a Rui ‘Richter’ Maside um lugar na nova história do clube, tendo um papel importante na demoliçao do antigo Estádio de Alvalade.
‘Richter’ Maside nao era um artista, um virtuoso, um brinca-na-areia. Era uma força da Natureza, indomável como um Dani depois das 10 da noite, como um Vítor Manuel a dirigir a sua equipa a partir do banco de suplentes, ou um Isidoro a distribuir cartoes. Ainda assim dizem as crónicas que houve um jogo em que conseguiu chutar a bola e fazer um cruzamento. Para as bancadas, mas também nao se pedem milagres. Mas foi só um jogo.
Férenc 2:10
‘Senhores e senhoras espectadores do topo sul, por questoes de segurança, por favor, desloquem-se para a lateral, pois o Vitoria vai atacar na segunda parte para esse lado’.
Após as solicitaçoes de muitos clubes, da protecçao civil e da intervençao da Procuradoria Geral da República, a FPF viu-se obrigada a tomar esta medida de aviso aos espectadores como precauçao em cada jogo do Vitória de Setúbal e, mais tarde do Sporting.
Tudo porque, a extremo direito jogada o verdadeiro terramoto das bancadas: Rui ‘Richter’ Maside.
‘Richter’ Maside começava o jogo enconstado á linha. ‘ Rui’ dizia-lhe o Mister, ‘poe-te do lado de dentro da linha. É o lado onde estao os outros jogadores todos. Sim, os que estao de pé e equipados como tu’. E ía sempre em frente. Ás vezes passavam-lhe a bola, que se embrulhava nos pés e ficava para trás, mas o Rui continuava a correr. Outras vezes nem lhe passavam a bola, mas o Rui continuava a correr.
Mesmo com a sua quase completa inaptidao para ter a bola nos pés, até se podía dizer que era um extremo perigoso. Perigoso para a integridade física do adversário. Mas os danos eram mínimos pois quando começava a correr os defesas saíam da sua frente e deixavam-lhe o caminho livre. Os defesas e também os fiscais de linhas, os fotógrafos, os apanha-bolas e até o público.
Alguns estádios reforçaram a protecçao das bancadas com barras de aço trazidos directamente da Siderurgia Nacional, para evitar danos na estrutura. Outros estádios já foram construídos usando materiais e tecnologia anti-Maside.
Alvalade e Bonfim, no entanto, adaptaram-se tecnologicamente de modo a conseguir mante-lo mais ou menos dentro do campo sem terem um carro preparado na doca para o trazer ao estádio de cada vez que caía ao rio durante um jogo de futebol: A idéia consistia em revestir os topos do estádio com umas molas almofadadas, para que cada vez que Maside embatesse contra as bancadas fizesse ricochete para trás, mantendo-o sempre em jogo e evitando gastos em portoes novos.
Apesar de todas as críticas que o denominavam de verdadeiro desastre natural, os seus méritos foram reconhecidos pelo Sporting, dando a Rui ‘Richter’ Maside um lugar na nova história do clube, tendo um papel importante na demoliçao do antigo Estádio de Alvalade.
‘Richter’ Maside nao era um artista, um virtuoso, um brinca-na-areia. Era uma força da Natureza, indomável como um Dani depois das 10 da noite, como um Vítor Manuel a dirigir a sua equipa a partir do banco de suplentes, ou um Isidoro a distribuir cartoes. Ainda assim dizem as crónicas que houve um jogo em que conseguiu chutar a bola e fazer um cruzamento. Para as bancadas, mas também nao se pedem milagres. Mas foi só um jogo.
22.11.04
Uma frase do Mestre I
‘E um dia Vítor Baía, o pequeno apanha-bolas, estendeu a bola a Borota e ao vê-lo encaminhar-se para os postes, com admiraçao disse para si mesmo: Um dia quero ser como tú... ’
Férenc 2:22
Uma frase do Mestre:
‘ Luiz Fernando... já jogou na selecçao do Brasil... É portanto, brasileiro’
José Nicolau de Melo
Mestre, és o Pietra dos comentadores.
Férenc 2:22
Uma frase do Mestre:
‘ Luiz Fernando... já jogou na selecçao do Brasil... É portanto, brasileiro’
José Nicolau de Melo
Mestre, és o Pietra dos comentadores.
19.11.04
Agora é que fodemos isto tudo
Apenas uma palavra: Leónidas.
Quando fazes pop, já não há stop
‘Nem todos os suecos são altos, louros e toscos. Alguns são pretos’
Férenc 2:22
E um dia alguém acorda de manhã, com uma ressaca do caneco depois de uma noite de maluquice, sai de casa para comprar gurosans, e, de mal com o Mundo, olha para o primeiro gajo que vê na rua e diz: ‘Vou fazê-lo jogador de futebol e vendê-lo á equipa do Colombo’. Não sabemos se a história se passa exactamente assim, mas este fenómeno de transformação instantânea de gajos que passam na rua em jogadores de futebol, é real no nosso universo futebolístico e repete-se regularmente embora de forma não periódica. Tipo eclipse da lua. Assim se explica o surgimento de tantos jogadores como Eskilsson, Uribe, King, Escalona, Machairidis ou Walter Paz. Um dos ex-líbris do fenómeno pop-players, foi, no entanto, Martín ‘Bicho-Pau’ Pringle.
Reza a lenda que ‘Bicho-Pau’ Pringle foi descoberto enquanto entregava pizzas na Suécia. Chega a casa de um Agente FIFA:
tlim tlão
- Quem é?
- Telepizza, Sáxavor. São 2 familiares de rena com anchovas, não é isso chefe?
- É sim, obrigado.
- Ora muito bem. Aqui tem um anãozinho ajudante do Pai Natal insuflável, ofertinha da casa e um folheto anti-suícidio. Sao 43 Euros e 26 centimos, sáxavor.
- Greta! Ó Greta, dá lá o dinheiro pra pagar ó señor (Pausa). Aquí tá.
- Ó chefe, só tem notas de 50 Euros? Na tem trocado?
- Ó Greta, não tens trocado pró senhor? (Pausa) Ó amigo, desculpe lá mas não tenho.
- Chefe, isto assim na pode ser. Só posso aceitar trocado. Se na tem trocado na lhe posso deixar as pizzas.
- Entao mas o que quer que lhe faça? Eu não tenho trocado, só tenho essa nota.
- Desculpe lá, mas as regras sao as regras. Na há trocado na há pizza.
- Entao mas a gente nao pode arranjar uma maneira de dar a volta a isto? Olhe lá, voçê já pensou em ser jogador de futebol?
E foi assim.
A meio da peladinha do primeiro treino, o seu treinador já o pôs a jogar como ponta-de-lança, pois quando mais longe da própria baliza perdesse a bola, menor sería o estrago. Mas o mais surpreendente na carreira de ‘Bicho-Pau’ Pringle no desporto-rei, onde ficou conhecido por coisa nenhuma, não foi ter chegado á equipa do Colombo, mas sim o facto de ainda hoje continuar a ter contratos de futebol profissional. Isto leva a pensar que a história-lenda de ‘Bicho-Pau’ Pringle não está muito bem contada: Ele tería que levar, no mínimo, três pizzas de rena com anchovas e não apenas duas...
Férenc 2:22
E um dia alguém acorda de manhã, com uma ressaca do caneco depois de uma noite de maluquice, sai de casa para comprar gurosans, e, de mal com o Mundo, olha para o primeiro gajo que vê na rua e diz: ‘Vou fazê-lo jogador de futebol e vendê-lo á equipa do Colombo’. Não sabemos se a história se passa exactamente assim, mas este fenómeno de transformação instantânea de gajos que passam na rua em jogadores de futebol, é real no nosso universo futebolístico e repete-se regularmente embora de forma não periódica. Tipo eclipse da lua. Assim se explica o surgimento de tantos jogadores como Eskilsson, Uribe, King, Escalona, Machairidis ou Walter Paz. Um dos ex-líbris do fenómeno pop-players, foi, no entanto, Martín ‘Bicho-Pau’ Pringle.
Reza a lenda que ‘Bicho-Pau’ Pringle foi descoberto enquanto entregava pizzas na Suécia. Chega a casa de um Agente FIFA:
tlim tlão
- Quem é?
- Telepizza, Sáxavor. São 2 familiares de rena com anchovas, não é isso chefe?
- É sim, obrigado.
- Ora muito bem. Aqui tem um anãozinho ajudante do Pai Natal insuflável, ofertinha da casa e um folheto anti-suícidio. Sao 43 Euros e 26 centimos, sáxavor.
- Greta! Ó Greta, dá lá o dinheiro pra pagar ó señor (Pausa). Aquí tá.
- Ó chefe, só tem notas de 50 Euros? Na tem trocado?
- Ó Greta, não tens trocado pró senhor? (Pausa) Ó amigo, desculpe lá mas não tenho.
- Chefe, isto assim na pode ser. Só posso aceitar trocado. Se na tem trocado na lhe posso deixar as pizzas.
- Entao mas o que quer que lhe faça? Eu não tenho trocado, só tenho essa nota.
- Desculpe lá, mas as regras sao as regras. Na há trocado na há pizza.
- Entao mas a gente nao pode arranjar uma maneira de dar a volta a isto? Olhe lá, voçê já pensou em ser jogador de futebol?
E foi assim.
A meio da peladinha do primeiro treino, o seu treinador já o pôs a jogar como ponta-de-lança, pois quando mais longe da própria baliza perdesse a bola, menor sería o estrago. Mas o mais surpreendente na carreira de ‘Bicho-Pau’ Pringle no desporto-rei, onde ficou conhecido por coisa nenhuma, não foi ter chegado á equipa do Colombo, mas sim o facto de ainda hoje continuar a ter contratos de futebol profissional. Isto leva a pensar que a história-lenda de ‘Bicho-Pau’ Pringle não está muito bem contada: Ele tería que levar, no mínimo, três pizzas de rena com anchovas e não apenas duas...
18.11.04
Fado da Moda afro-disco da Buraca
‘Uma palestra do Artur Jorge depois de um murro do Sá Pinto. Isso sim, é poesia’
Férenc 19:19
Do outro lado da circular
Quando a equipa era popular
Existiu fenómeno sem igual.
Expoente de idolatração
Amado pela multidão
O verdadeiro ídolo nacional
Não deslumbrava pela subtileza
Nem pelo comando da defesa
Muito menos pelo rigor do passe.
Deslumbrava pela figura,
Pelo seu conceito de estética pura
Que o levitava a outra classe
Era aquela enorme cabeleira
Que tapava a baliza inteira
Alvo de admiração e desejo
E aquele bigode massiço
Gordo, farfalhudo e roliço
De uma sexualidade que eu invejo
Não era um futebolista, era um revolucionário
Um lírico, um visionário
Mais que um génio, um profeta
Um herói desta nação
Ïcone de uma geração.
Gritemos todos bem alto: Nao te esqueçeremos, Minervino Pietra!
Férenc 19:19
Do outro lado da circular
Quando a equipa era popular
Existiu fenómeno sem igual.
Expoente de idolatração
Amado pela multidão
O verdadeiro ídolo nacional
Não deslumbrava pela subtileza
Nem pelo comando da defesa
Muito menos pelo rigor do passe.
Deslumbrava pela figura,
Pelo seu conceito de estética pura
Que o levitava a outra classe
Era aquela enorme cabeleira
Que tapava a baliza inteira
Alvo de admiração e desejo
E aquele bigode massiço
Gordo, farfalhudo e roliço
De uma sexualidade que eu invejo
Não era um futebolista, era um revolucionário
Um lírico, um visionário
Mais que um génio, um profeta
Um herói desta nação
Ïcone de uma geração.
Gritemos todos bem alto: Nao te esqueçeremos, Minervino Pietra!
17.11.04
Paulo vs. Manuela
‘Nunca te metas com um extremo de raíz’
Férenc 14:31
Este foi um dos melhores momentos da televisão portuguesa, comparado apenas a... Não. Foi mesmo o melhor momento da televisão portuguesa.
Paulo Futre, acabado de chegar á equipa do Colombo, vindo do Ol. Marselha, para iniciar a segunda de três fases da sua reforma, é o convidado especial de Manuela Moura Guedes no Jornal da Noite da TVI. Horário Nobre. E merecido.
Paulo Futre tem aquí uma demonstração inquestionável de que mantinha o mesmo jogo de cintura que levou tantos rins ás mesas de operações para tirar os nós. Á Vado.
Manuela: ‘Paulo, quanto ganhas?’
Paulo: ‘Bem Manuela, isso é algo que não te vou dizer aqui.’
(Atenção ao sotaque, pois é imprescindível. Tem que ser lido com a entoação de quem nasceu no Montijo, partilhou parte da sua vida com Gil y Gil e tem um porche amarelo canário)
Manuela: Paulo, reconheces que é algo que todos os espectadores têm curiosidade de saber e que tem sido alvo de bastante especulação.
Paulo: ‘Bem Manuela, se me disseres quanto ganhas tu, digo-te quanto ganho eu’
Manuela (resposta imediata, olhando-lhe nos olhos como quem diz ‘ vê lá como te safas desta’): ‘Eu ganho 300 contos’.
Paulo (surpreendido mas nunca rendido): ‘ Pois eu ganho um pouco mais’
Isto sim, é serviço público.
Férenc 14:31
Este foi um dos melhores momentos da televisão portuguesa, comparado apenas a... Não. Foi mesmo o melhor momento da televisão portuguesa.
Paulo Futre, acabado de chegar á equipa do Colombo, vindo do Ol. Marselha, para iniciar a segunda de três fases da sua reforma, é o convidado especial de Manuela Moura Guedes no Jornal da Noite da TVI. Horário Nobre. E merecido.
Paulo Futre tem aquí uma demonstração inquestionável de que mantinha o mesmo jogo de cintura que levou tantos rins ás mesas de operações para tirar os nós. Á Vado.
Manuela: ‘Paulo, quanto ganhas?’
Paulo: ‘Bem Manuela, isso é algo que não te vou dizer aqui.’
(Atenção ao sotaque, pois é imprescindível. Tem que ser lido com a entoação de quem nasceu no Montijo, partilhou parte da sua vida com Gil y Gil e tem um porche amarelo canário)
Manuela: Paulo, reconheces que é algo que todos os espectadores têm curiosidade de saber e que tem sido alvo de bastante especulação.
Paulo: ‘Bem Manuela, se me disseres quanto ganhas tu, digo-te quanto ganho eu’
Manuela (resposta imediata, olhando-lhe nos olhos como quem diz ‘ vê lá como te safas desta’): ‘Eu ganho 300 contos’.
Paulo (surpreendido mas nunca rendido): ‘ Pois eu ganho um pouco mais’
Isto sim, é serviço público.
16.11.04
Priiiii!
‘Dá-me seis gajos com bigode, três carecas, um comunista e um vesgo e eu faço-te campeão nacional’
Férenc 16:15
O futebol português já Não é o que era. Se falamos de futebol, ainda mais de futebol português, é imprescindível começarmos com um cliché. Como é que fazem os jogadores brasileiros mal aterram no aeroporto? Ãh? Podíamos utilizar outros, como o octaviano ‘com muito trabalho alcançaremos os nossos objectivos’, o solidário ‘temos um balneário muito unido’, o auto-moderador ‘temos que ser humildes e respeitar o nosso adversário’ ou até o subversivo ‘sabem que não costumo falar dos árbitros, mas...’, mas estes não vêm nada a propósito. Fiquemos com o saudosista ‘O futebol português já não é o que era ‘. A verdade é essa: O futebol português mudou. Não de um dia para o outro, Não de forma espontanea ou por artes mágicas. Nada é permanente, tudo se transforma. Menos Jaime Pacheco.
Não interessa se essa evoluçao foi para melhor ou para pior, isso deixamos para outros gajos. Não interessa se um campo com tartan é melhor ou pior que umas bancadas a poucos metros da baliza, se um estilo afro-disco-dos-suburbios do Minervino é mais sexualmente atraente que um estilo neo-Mohawk de Porfírio, se era mais beto o Bi-Bota (vénia) ou o Diogo, se devíamos manter por cá os nossos Jorge Leitões, Mamedes ou Rui Patacas como antes mantínhamos os nossos Luis Sauras, Crisantos ou Chicos Faria, se preferíamos um Rui Tovar ou um Daniel Bessa. Não estamos aqui para fazer juízos de valor, apesar de ainda termos fotos de Minervino dentro do guarda-fato (o poster do meio. E com o bigode aparadinho).
A verdade é que temos saudades. Temos saudades de ver jogos no peão ao domingo á tarde, do bigode de Vermelhinho, do romantismo de um Feirense que prefere manter a sua identidade lusitana a ganhar jogos, do tempo em que se vendiam garrafas de vidro nos estádios e os árbitros vestiam de preto, do bigode do Vermelhinho, do tempo em que as faltas por trás não levavam amarelo e os guarda-redes defendiam um atraso com as maos, do Bernardino Pedroto a treinar o V. Guimaraes e do bigode do Vermelhinho.
Temos saudades do tempo dos capitaes de aço, como Gregório Freixo, Ferreira da Costa ou Rui França, homens de nobre linhagem que impunham o seu carisma e comandavam as suas tropas, com a eloquência subtil de pastores brasileiros de uma qualquer igreja alternativa, exigindo, em cada domingo, a dízima ao seu rebanho.
Temos saudades quando tínhamos o privilégio de nos deixarmos inebriar pelo exotismo sedutor de uma legião estrangeira digna e meritória, heterogénea mas solidária, onde um Negrete ‘pontapé-de-moinho’ galantemente se enfrentava a um Amarildo ‘coiçe-de-mula’ e um Mladenov compartia o seu protagonismo de estrela internacional com um Mapuata, representando a universalidade do futebol portugues num mundo ainda não globalizado, separado por uma barreira que era muito mais que física.
Temos saudades do Espinho de Quinito, do Guimarães de Autuori, do Boavista de Raul Águas e do Belenenses de Marinho Peres. E de John Mortimore. Ai, John Mortimore... E do morcego-da-paz Octávio, o vigilante da noite, digníssimo Presidente dos Bombeiros Voluntários de Palmela.
Chamem-nos piegas, revivalistas, saudosistas e o caneco. Assumimos! Somos! Mas quem viveu uma apresentação do Eskilsson aos sócios e se não foi dos que se esvaiu em sangue após cortar os pulsos, sabe do que estamos a falar. A diferença entre o futebol português de há 15 anos é que antes os ídolos se chamavam Cabumba, Conhé, Bobó e Babá. Agora chamam-se Ricardo e Não Labreca, Beto e Não Severo, apenas Simao, já sem o Sabrosa. E quem se chama agora Tamagnini? Bem hajam Bodunha, Febras e Edú Brasil, seus incorruptíveis. Houve uma evolução no futebol português, sim. Mas uma evolução quase apenas cosmética mas que não se resumiu apenas ao nome dos jogadores. Cosmética. A substância manteve-se, ou piorou. A diferença entre o futebol português de há 15 anos e o de agora está na genuinidade. Perdeu-se quando se impôs a hipocrisia.
Apenas queremos voltar a uma época em que o futebol era mais puro e mais macho. Apenas queremos voltar a sentir esse encanto, lembrar esses momentos, homenagear esses ídolos e divagar sobre tantas particularidades que o fizeram (e, em alguns casos, ainda fazem- Obrigado Papa) tão sui generis. Nunca te esqueçeremos, Minervino.
Queremos fazer justiça e recordar um futebol português já esquecido, tantas vezes irreconhecido e muitas desprezado. Antes de mais para nós mesmos, para nosso prazer, como os putos caixeiros que preferem divertir-se em toques e fintas, ratas e bicicletas antes de deixar que os outros curtam também um cochinho. A verdade é que somos os donos da bola e só joga quem a gente quiser. E vai pá baliza quem for mais gordo.
E temos saudades do Festas e do Vivas. Mudós cinco, acabós dez. Começó jogo.
Férenc 16:15
O futebol português já Não é o que era. Se falamos de futebol, ainda mais de futebol português, é imprescindível começarmos com um cliché. Como é que fazem os jogadores brasileiros mal aterram no aeroporto? Ãh? Podíamos utilizar outros, como o octaviano ‘com muito trabalho alcançaremos os nossos objectivos’, o solidário ‘temos um balneário muito unido’, o auto-moderador ‘temos que ser humildes e respeitar o nosso adversário’ ou até o subversivo ‘sabem que não costumo falar dos árbitros, mas...’, mas estes não vêm nada a propósito. Fiquemos com o saudosista ‘O futebol português já não é o que era ‘. A verdade é essa: O futebol português mudou. Não de um dia para o outro, Não de forma espontanea ou por artes mágicas. Nada é permanente, tudo se transforma. Menos Jaime Pacheco.
Não interessa se essa evoluçao foi para melhor ou para pior, isso deixamos para outros gajos. Não interessa se um campo com tartan é melhor ou pior que umas bancadas a poucos metros da baliza, se um estilo afro-disco-dos-suburbios do Minervino é mais sexualmente atraente que um estilo neo-Mohawk de Porfírio, se era mais beto o Bi-Bota (vénia) ou o Diogo, se devíamos manter por cá os nossos Jorge Leitões, Mamedes ou Rui Patacas como antes mantínhamos os nossos Luis Sauras, Crisantos ou Chicos Faria, se preferíamos um Rui Tovar ou um Daniel Bessa. Não estamos aqui para fazer juízos de valor, apesar de ainda termos fotos de Minervino dentro do guarda-fato (o poster do meio. E com o bigode aparadinho).
A verdade é que temos saudades. Temos saudades de ver jogos no peão ao domingo á tarde, do bigode de Vermelhinho, do romantismo de um Feirense que prefere manter a sua identidade lusitana a ganhar jogos, do tempo em que se vendiam garrafas de vidro nos estádios e os árbitros vestiam de preto, do bigode do Vermelhinho, do tempo em que as faltas por trás não levavam amarelo e os guarda-redes defendiam um atraso com as maos, do Bernardino Pedroto a treinar o V. Guimaraes e do bigode do Vermelhinho.
Temos saudades do tempo dos capitaes de aço, como Gregório Freixo, Ferreira da Costa ou Rui França, homens de nobre linhagem que impunham o seu carisma e comandavam as suas tropas, com a eloquência subtil de pastores brasileiros de uma qualquer igreja alternativa, exigindo, em cada domingo, a dízima ao seu rebanho.
Temos saudades quando tínhamos o privilégio de nos deixarmos inebriar pelo exotismo sedutor de uma legião estrangeira digna e meritória, heterogénea mas solidária, onde um Negrete ‘pontapé-de-moinho’ galantemente se enfrentava a um Amarildo ‘coiçe-de-mula’ e um Mladenov compartia o seu protagonismo de estrela internacional com um Mapuata, representando a universalidade do futebol portugues num mundo ainda não globalizado, separado por uma barreira que era muito mais que física.
Temos saudades do Espinho de Quinito, do Guimarães de Autuori, do Boavista de Raul Águas e do Belenenses de Marinho Peres. E de John Mortimore. Ai, John Mortimore... E do morcego-da-paz Octávio, o vigilante da noite, digníssimo Presidente dos Bombeiros Voluntários de Palmela.
Chamem-nos piegas, revivalistas, saudosistas e o caneco. Assumimos! Somos! Mas quem viveu uma apresentação do Eskilsson aos sócios e se não foi dos que se esvaiu em sangue após cortar os pulsos, sabe do que estamos a falar. A diferença entre o futebol português de há 15 anos é que antes os ídolos se chamavam Cabumba, Conhé, Bobó e Babá. Agora chamam-se Ricardo e Não Labreca, Beto e Não Severo, apenas Simao, já sem o Sabrosa. E quem se chama agora Tamagnini? Bem hajam Bodunha, Febras e Edú Brasil, seus incorruptíveis. Houve uma evolução no futebol português, sim. Mas uma evolução quase apenas cosmética mas que não se resumiu apenas ao nome dos jogadores. Cosmética. A substância manteve-se, ou piorou. A diferença entre o futebol português de há 15 anos e o de agora está na genuinidade. Perdeu-se quando se impôs a hipocrisia.
Apenas queremos voltar a uma época em que o futebol era mais puro e mais macho. Apenas queremos voltar a sentir esse encanto, lembrar esses momentos, homenagear esses ídolos e divagar sobre tantas particularidades que o fizeram (e, em alguns casos, ainda fazem- Obrigado Papa) tão sui generis. Nunca te esqueçeremos, Minervino.
Queremos fazer justiça e recordar um futebol português já esquecido, tantas vezes irreconhecido e muitas desprezado. Antes de mais para nós mesmos, para nosso prazer, como os putos caixeiros que preferem divertir-se em toques e fintas, ratas e bicicletas antes de deixar que os outros curtam também um cochinho. A verdade é que somos os donos da bola e só joga quem a gente quiser. E vai pá baliza quem for mais gordo.
E temos saudades do Festas e do Vivas. Mudós cinco, acabós dez. Começó jogo.
Vatatoon, o palhaço preto
‘Se o Moreira de Sá e o Sammy Davis Jr copulassem, nascería sempre um artista’
Férenc 23.11
Este atleta de elite foi um dos grandes ícones da equipa do Colombo dos anos 80. Amado e idolatrado tanto pelos seus incontestáveis dotes futebolísticos como pela arte circense que espalhava por esses relvados, fazia de cada Domingo, um verdadeiro carnaval de Torres.
Vata, franzino, de pose esguía e maleável, era a imagem da pluralidade com que o futebol português presenteava o País. Embaixador do seu continente, mostrava que África era muito mais que o Vale da Amoreira e mao de obra não qualificada na construção civil. Era fantasia, espontaneidade e muito, muito humor. Avançado de estilo repentino (de repente tocava na bola, de repente não; de repente estava de pé, de repente não), ingressou no corso do Colombo para deixar a marca de toda a sua pouca felinidade e muito boa disposição. Chegou juntamente com Miranda, um verdadeiro humpty-dumpty do miolo do terreno, deixando, ambos, as boas gentes poveiras em prantos e desnorteadas pela perda das referências da sua equipa, o seu Yin e Yan, os bastiões do equilíbrio espiritual e étnico do Varzim. A saída de Vata e Miranda para o Colombo deixou os nobres pescadores poveiros orfãos de pai e mãe, perdidos num mar revolto, sem farol nem bússola, num naufrágio do qual tememos, não mais regressaram. Nem mesmo após a chegada de Mendonça, ‘a locomotiva da Muchima’, uma esperança infelizmente efémera e que nunca provou ser descendente da estirpe dos seus míticos antecessores.
Apesar de ter sido o melhor marcador da primeira divisão no ano dos pobrezinhos, o que não deve constituir um grande motivo de orgulho nem o valoriza em muito, Vata distinguia-se mais pelos pormenores cómicos que espalhava pelos relvados que pelos dotes de goleador: a sua posição fetal antes de cair ao tropeçar numa bola, a forma símia como se encavalitava nos centrais para cabeçar num pontapé de canto, os chutos no ar e os trambolhões de mãos levantadas fingindo cair num buraco, levaram milhares de crianças aos relvados e vários milhões a implorar aos pais que os deixassem ficar de pé para esperar pelo Domingo Desportivo, para ver as diabruras do seu herói e rir ás gargalhadas, bem dispostos para começar uma nova semana de escola.
Vata constituiu um exemplo histórico de um artista que consegue pegar em duas artes e interpretá-las de forma totalmente harmoniosa e complementar, em prol do espectáculo e da diversão das massas.
Mas sem dúvida o seu momento mais brilhante e ousado de uma carreira repleta de tropelías, foi quando numa semi-final da taça dos campeões, contra o Marselha, realiza o seu acto mais visionário no show-bizz futebolístico, um daqueles que diferencia um semi-deus que roça o Olímpo de um comum mortal que apenas o sonha. Um Stan Valckx de um Machairidis, um Douglas de um Jamir, um Balakov de um Uribe. De uma forma harmoniosa e poética, transporta toda a sua alma circense para dentro do campo de futebol, qual saltimbanco da grande área, fazendo, num passe de malabarismo com a sua mão, entrar a bola dentro da baliza do Ol. Marselha. Perante a exaltação geral de uma plateia pouco dada a pormenores regulamentares sempre que fossem a seu favor, Tapie agonizava com o atrevimento do pequeno mariola mas apontava num caderninho tudo o que tinha aprendido naquela noite. Ficou famosa a sua frase, anos mais tarde, quando foi preso foi corrupção: 'Que inveja dos gajos do Benfica.. *'
Ainda hoje Vata é relembrado por todos com um sorriso nos lábios, fazendo parte do imaginário infanto-juvenil do folclore desportivo. Conseguiu como só os maiores conseguem, pela sua audácia e genialidade, ser odiado por uns e... enfim... que outros lhe achassem graça.
* Traduçao por Rui Pataca. Obrigado, Rui!
Férenc 23.11
Este atleta de elite foi um dos grandes ícones da equipa do Colombo dos anos 80. Amado e idolatrado tanto pelos seus incontestáveis dotes futebolísticos como pela arte circense que espalhava por esses relvados, fazia de cada Domingo, um verdadeiro carnaval de Torres.
Vata, franzino, de pose esguía e maleável, era a imagem da pluralidade com que o futebol português presenteava o País. Embaixador do seu continente, mostrava que África era muito mais que o Vale da Amoreira e mao de obra não qualificada na construção civil. Era fantasia, espontaneidade e muito, muito humor. Avançado de estilo repentino (de repente tocava na bola, de repente não; de repente estava de pé, de repente não), ingressou no corso do Colombo para deixar a marca de toda a sua pouca felinidade e muito boa disposição. Chegou juntamente com Miranda, um verdadeiro humpty-dumpty do miolo do terreno, deixando, ambos, as boas gentes poveiras em prantos e desnorteadas pela perda das referências da sua equipa, o seu Yin e Yan, os bastiões do equilíbrio espiritual e étnico do Varzim. A saída de Vata e Miranda para o Colombo deixou os nobres pescadores poveiros orfãos de pai e mãe, perdidos num mar revolto, sem farol nem bússola, num naufrágio do qual tememos, não mais regressaram. Nem mesmo após a chegada de Mendonça, ‘a locomotiva da Muchima’, uma esperança infelizmente efémera e que nunca provou ser descendente da estirpe dos seus míticos antecessores.
Apesar de ter sido o melhor marcador da primeira divisão no ano dos pobrezinhos, o que não deve constituir um grande motivo de orgulho nem o valoriza em muito, Vata distinguia-se mais pelos pormenores cómicos que espalhava pelos relvados que pelos dotes de goleador: a sua posição fetal antes de cair ao tropeçar numa bola, a forma símia como se encavalitava nos centrais para cabeçar num pontapé de canto, os chutos no ar e os trambolhões de mãos levantadas fingindo cair num buraco, levaram milhares de crianças aos relvados e vários milhões a implorar aos pais que os deixassem ficar de pé para esperar pelo Domingo Desportivo, para ver as diabruras do seu herói e rir ás gargalhadas, bem dispostos para começar uma nova semana de escola.
Vata constituiu um exemplo histórico de um artista que consegue pegar em duas artes e interpretá-las de forma totalmente harmoniosa e complementar, em prol do espectáculo e da diversão das massas.
Mas sem dúvida o seu momento mais brilhante e ousado de uma carreira repleta de tropelías, foi quando numa semi-final da taça dos campeões, contra o Marselha, realiza o seu acto mais visionário no show-bizz futebolístico, um daqueles que diferencia um semi-deus que roça o Olímpo de um comum mortal que apenas o sonha. Um Stan Valckx de um Machairidis, um Douglas de um Jamir, um Balakov de um Uribe. De uma forma harmoniosa e poética, transporta toda a sua alma circense para dentro do campo de futebol, qual saltimbanco da grande área, fazendo, num passe de malabarismo com a sua mão, entrar a bola dentro da baliza do Ol. Marselha. Perante a exaltação geral de uma plateia pouco dada a pormenores regulamentares sempre que fossem a seu favor, Tapie agonizava com o atrevimento do pequeno mariola mas apontava num caderninho tudo o que tinha aprendido naquela noite. Ficou famosa a sua frase, anos mais tarde, quando foi preso foi corrupção: 'Que inveja dos gajos do Benfica.. *'
Ainda hoje Vata é relembrado por todos com um sorriso nos lábios, fazendo parte do imaginário infanto-juvenil do folclore desportivo. Conseguiu como só os maiores conseguem, pela sua audácia e genialidade, ser odiado por uns e... enfim... que outros lhe achassem graça.
* Traduçao por Rui Pataca. Obrigado, Rui!
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