4.4.05

Manifesto Anti-Dantas. Ou o homem que nao devía estar lá.

'Falópio, que sopras tu?'
Férenc 7.54


Permito-me neste blog fazer a denúncia de um factor que, na minha opiniao, contribui decididamente para o declínio do futebol nacional e o afastamento dos espectadores dos estádios. Nao falo da falta de credibilidade das instituiçoes do futebol, de nos obrigarem a ver equipas cheias de Juanicos ou de treinadores que fazem o ‘cattanacio’ parecer o uma avalancha de futebol de ataque. Falo sim, de algo muito mais sério e ofensivo, que nos atinge muito mais os nervos que os comentários do Alder Dante: Falo do Homem do Trompete.

Nao importa a intensidade do jogo, a imprevisibilidade do marcador, a exaltaçao das massas. Só me importa aquele ‘Y viva España’ impróprio e irritante que o filha-da-mae do bucha nao pára de me fazer entrar pelos ouvidos dentro até á agonia. E dentro do campo só passo a ver pitinhas vestidas de sevilhanas e maquilhadas com baldes de tinta, a tocar castanholas em ritmos frenéticos e absolutamente possessos.

Reconheço que me falta a lucidez para ter uma atitude madura e sensata, como chegar ao pé dele e desancá-lo á porrada, como faría qualquer homem a sério. Ou arranjar um bando duns 30 gajos, metermo-nos á volta dele com dois trompetes cada um e assoprá-los até dilatarmos o olho do cú, só pra ver se o canalha gosta.

Porquê esta mania doentia de ter sempre, pelo menos, um gordo seboso e de bochechas rosaditas á porco a apitar pradentro daquilo, infatigável, durante todo o jogo? Porque é que nao se lembram de levar antes uma pandeireta ou uma harpa? Até compreendo que alguns jogos, tanto pelo espectáculo como pelos intervenientes, possam ser confundíveis com uma corrida de touros, até porque anda por lá o Maurício do Vale, mas onde é que estao os trajes de luzes? Ah?

Além de ser um som paranóicamente incómodo, com livre-trânsito para destruir qualquer sistema nervoso central e uma violaçao permanente a todas as leis da poluiçao sonora e do bom gosto, é igualmente um atentado á saúde pública de todos os espectadores e intervenientes do espectáculo (á excepçao do Joao Malheiro e do José Guilherme Aguiar, que sao como as baratas), por ser um poderoso meio de difusao contínua do mau hálito do balofo, seguramente fértil em CO2, polisaturados e francesinhas. Como espectador de futebol, sinto-me violado e agredido pela imposiçao perpétua a que nos obriga este chupador invertido, que me persegue tanto no estádio como em casa. E se já nao bastasse a minha mae ter-se rejeitado a passar de 10 em 10 minutos apregoando queijadas de Sintra enquanto estou refastelado no sofá a ver a bola, vejo-me obrigado a escolher entre a dor pungente inflingida pelo trompete do terror ou a de nao escutar os doutos comentários de um Vítor Manuel ou de qualquer dos gurus da RTP. É inaguentável. Ser espectador de futebol devía ser um ofício subsidiado pelo Estado...

2 comments:

naked sniper said...

Brilhante!!

Joaquim Rí-te said...

Sacana!Do homem que não deviam ter deixado entrar ao homem que não devia estar lá não vai muito!!Pois sim, pois sim.Eu tb sou um "artiste"!Mais um grande post, com francesinhas!