4.3.05

A táctica do Pirilau

‘Encosta!... Corta!... Mete o pé!... Ganha!... Poe o rímel!... Chuta!...’
Férenc 01.87

Com mais de 100 anos despertando emoçoes e reflexoes de milhoes de pessoas em todo o Mundo, é costume dizer-se que no futebol já está tudo inventado e que a evoluçao se regista muito mais a nível das novas metodologias de treino nos atletas e dos seus efeitos a nível físico do que a nível técnico e, principalmente táctico.

Na minha modesta opiniao, acho que aparece sempre um gajo qualquer, nao se sabe muito bem donde, a querer estragar as filosofias dos estudiosos e a mandar todas a teorias pro galheiro. A inovaçao pode ser um gesto de prepotência, que esconde o prazer pelo risco de um visionário seguro, o brilho de um génio. Mas normalmente nao é mais do que um acto de soberbos imbecis ou a ignorância absoluta de profundos incompetentes.

Acredito fielmente que, a nível táctico, o futebol actual evolui e adapta-se, mas nada nele se inventa. E sou um homem feliz por só agora ter oportunidade de escrever esta frase. Porque se o tivesse feito há uns anos talvez o Paulo Autuori nao se tivesse dado ao trabalho de inventar uma das tácticas mais impotentes e patéticas da história: Senhoras e Senhores, apresento-vos, pelo Sr. Paulo Autuori, a táctica do Pirilau. E agora os meninos vao prá caminha.

Colombo, 1996. Ainda em precoce estado de convalescença por excesso de Artur Jorge no sangue, a equipa do Colombo, em evidente estado de catatonia, estava urgindo uma enxorrada de estímulo novo que a pudesse tirar daquele marasmo animicó-espiritualó-futebolístico. Sem sexismos, mas a equipa fazia lembrar uma miúda dependente do seu namorado a quem, pensando que tinha ali um ganda homem, tinha entregado totalmente a alma ao ponto de trocar 4 jogadores por um Luiz Gustavo, e que de um momento para o outro se viu abandonada, perdida, sem referente emocional, sem porto de abrigo. Uma miúda agora extremamente susceptível a todos os engatatoes que dizem é gira e boa só para ela ficar toda convencida e ser mais fácil mandar-lhe uma foda.

Depois do limpa-chaminés Toni ter falhado, o samaritano Autuori assume o seu papel de tutor, tentando devolver a dignidade a esta donzela rejeitada e humilhada pelo farsante. Mas depressa se apercebe que a donzela nao é virtuosa como tentam fazer crer: Nao é a mais prendada, a mais formosa, a mais delicada, a de melhores maneiras nem a de melhores famílias. A donzela, ao contrário do que todos tentavam fazer crer, nao tem as qualidades para se impôr na dura, competitiva e cruel sociedade que é o futebol português. Autuori, nao tanto por arrogância nem por incompetência, mas por falta de opçoes, vê-se obrigado a improvisar: Assim, como hábil cirurgiao, constrói no seu laboratório uma inovadora táctica que espera que funcione como um Prozac e que a eleve do estado de depressao que a absorvia. Desta forma, tenta inserir-lhe um mecanismo assente numa defesa tradicional de 4 elementos e posteriormente numa bichinha indiana pelo centro do relvado até ao ataque. Esta táctica, inicialmente prevista para ser um prozac, revelou-se afinal um viagra pequenino e azul bebé. Ao seu 4x2x2x2 chamou-lhe o mesmo Autuori, a Táctica do Pirilau.

O modelo táctico, sem jogadores pelas bandas a partir de uma defesa atrasada, residia fundamentalmente pelo domínio do corredor central do terreno, em binómios paralelos de jogadores, do meio campo até ao ataque. Assim, normalmente, no olho do cú estava Preu’Homme, que fazia o que podía para tentar manter a sua dignidade inviolada. Os testículos, retraídos e pouco oscilantes, eram Marinho e Dimas (por vezes Kennedy), ao lado de um escroto viril mas pouco flexivel como era Helder e Bermudez, o que nao naturalmente nao dá maleabilidade suficiente a nada. Jamir e Bruno Caires e Valdo e Panduru eram um tronco flácido, pouco robusto e bastante curtinho, que raramente conseguia uma penetraçao poderosa e magnífica de fazer engasgar a defesa contrária. A glande Joao Pinto, embora insuficiente, era o elemento mais sensível de toda a estrutura fálicó-táctica e o que algum prazer provocava, mas Hassan, como buraquinho do mijo, era tao inconstante que, ora ejaculando precocemente ora sofrendo de frigidez, nao era capaz de assegurar o clímax desejado, como tantas vezes tinha feito ao serviço do Farense.

A táctica do Pirilau revelou-se finalmente uma revoluçao genitálica pouco viril e fundamentalmente estéril, uma vez que nao se adaptou á natureza essencial da equipa. Para justificar em parte a impotência da táctica do pirilau é importante nao esquecer essa natureza frágil e feminina de uma equipa com pouco amor próprio, abandonada e rejeitada, enxovalhada e escarnecida. Por isso este conceito táctico parecía forçado, anti-natura.

Na verdade, a cirurgia de Autuori tornou a equipa transsexuada, como uma mulher a quem foi colocado um ostensivo falo pouco convincente para enganar algum desprevenido. A equipa de Autuori tornou-se uma gaja com pila. Mas por ser gaja, nao a sabía usar. Autuori, pelos vistos, também nao a soube ensinar muito bem. Deixo-vos com esta reflexao...

4 comments:

naked sniper said...

brilhante, como sempre

Joaquim Rí-Te said...

Já estou a reflectir, e urge-me dizer que tudo isto foi relexo do Artur Jorge, que , posso comprová-lo, é uma mulher, porque levou nos cornos do Sá Pinto porque não tinha colhões.Ora, se não tem colhões, é gaja!!!!!

Ahab said...

Ferenc, és o maior!

Anonymous said...

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